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Ray Perez

2010-11-24 Ray Perez

Ramon Epiphanio Pérez Rivas nasce em Barcelona, na Venezuela, a 25 de Dezembro de 1938, no seio de uma família ligada ao mundo da música, sendo o seu pai trombonista e pianista, e a sua mãe cantora. Ray inicia o seu contacto com a música latina (que mais tarde se denominaria como Salsa) em casa, ainda criança, através dos seus pais e de um rádio, que sintonizava para ouvir emissoras de Cuba e de Porto Rico.

O seu primeiro contacto com um instrumento musical acontece com apenas 12 anos. Apesar do seu gosto pela trompete, ele inicia-se com a tuba, pois o seu pai dirigia uma banda e necessitava de alguém para tocar este instrumento, que devido ao seu peso e tamanho, se tornava bastante incómodo de tocar, e ninguém queria fazê-lo.

A sua ânsia de maior conhecimento musical levam-no a mudar-se para Maracaibo, em 1962, para estudar no conservatório. Aí aperfeiçoa os seus estudos sobre piano, harmonia e “redacção” musical, não se focando apenas na salsa (buscou ritmos como a música criola, música clássica ou o rock) e após apenas 6 meses já era reconhecido pelos seus arranjos musicais. É nessa mesma época que Ray Pérez dá os seus primeiros passos num estúdio de música.

Ainda em Maracaibo, no ano de 1965, Ray decide mudar o seu estilo. Reúne vários músicos e, influenciados pelas velhas orquestras, decide criar o seu próprio ritmo pois acreditava que estas se encontravam estagnadas, não inovavam. Ray queria encontrar o seu cunho pessoal, dando à velha guaracha um novo feeling, um novo swing. Assim nascem Los Dementes.

No dia do primeiro concerto de Ray, o seu professor não o deixou apresentar-se com o nome de Los Dementes, sendo obrigados a utilizar o nome de Ray Pérez y su Charanga …”…não nos deixou tocar como Los Dementes porque ele achava que os músicos não podiam ser classificados de loucos…havia uma patrulha de polícia pronta para nos retirar do palco se nos apresentássemos como Los Dementes.”.

Ray decide mudar-se de novo para Caracas e leva consigo os seus músicos. Por dificuldades de adaptação à cidade, estes decidem regressar a Maracaibo e Ray depara-se com um novo desafio, reunir um novo grupo de músicos. De imediato ele começou a buscar uma nova formação para a orquestra e pouco tempo depois, Ray já se encontrava de novo com o seu projecto em ascensão, desta vez, e para sempre, sob o nome de Los Dementes. Ray Perez
Assim, em 1967, lançam o seu primeiro álbum “Alerta Mundo: Llegaron Los Dementes”, que se revelou um sucesso estrondoso. Aqui, Ray introduziu uma das suas principais inovações, que o eternizou como um dos primeiros, se não o primeiro a usar os trombones na salsa: “…eu gostava do som do trombone porque, entre os instrumentos, aquele que é mais parecido com um homem é o trombone…é mais sólido, robusto…”*. O povo de Caracas ficou louco ao ouvir esta nova sonoridade.

Em Caracas Los Dementes tocavam em bares e programas de TV, mas a maioria das vezes tudo acontecia nas praças dos “barrios”, onde partilharam o palco com Richie Ray, Bobby Cruz, Palmieri, Ray Barretto, Joe Cuba, em outros.

Ray fundou e actuou em vários grupos, como “Los Kenya” ou “Los Calvos”, entre tantos outros que seria impossível mencionar todos. Estes eram dirigidos por Ray, que compunha, fazia os arranjos e a produção, tocava piano e cantava, por vezes. A sua voz pode ser identificada em inúmeros dos seus sucessos, como “Asi Mueren Los Valientes”, “El Alacran”, “Emae Emae”, “Adios Madeira”, entre outros. A inovação esteve sempre em primeiro plano para ele, e prova disso é a sua música e a identidade musical distinta de cada um dos grupos que formou. O trabalho desenvolvido em cada um deles era muito intenso e constante, e Ray dedicava-se de corpo e alma à música. No mesmo ano ele conseguia lançar quatro álbuns de diferentes grupos, como se pode imaginar pela sua imensa discografia de mais de 40 discos. Ray Perez
Em 1969, mudou-se para New York, para estudar com o maestro Nick Rodriguez, deixando Los Dementes entregue aos seus músicos. O maestro submeteu-o a vários testes e colocou-o a tocar para ele, para avaliá-lo, e no final disse-lhe que ele não necessitava de aprender, nem de estudar, mas sim de compor.

Em NY foi convidado a tocar com Kako y sus All Stars. No seu primeiro concerto, num bar, Ray partilhou o palco com conhecidos nomes da salsa como Cheo Feliciano, Chivirico, Patato, Totico, Chombo Silva, Ismael Riverà, entre outros…Ray conta: “…quando subi para o piano, todos se levantaram para cantar, Cheo, Chivirico…Palmieri em vez de tocar no piano tomou conta dos timbales…Mais tarde, às seis da manhã, fomos todos para um pequeno-almoço de músicos na Broadway.”*. Ainda em NY, ele trabalhou com vários artistas, fazendo arranjos e produções, e escrevendo também para eles, como é exemplo Pete Rodriguez, para quem escreveu “Dame Felicidade” ou “Bossa Triste”.

Numa entrevista a Ray realizada em 2005, ele confessa, relativamente aos tempos vividos em NY, que as melhores festas de salsa se realizavam nas igrejas, aos sábados, onde ele tocava com a Orquestra Broadway. “…os padres vendiam a aguardente. Estes diziam que aquela era a casa de Deus, e os filhos de Deus deviam divertir-se e serem felizes na casa de Deus.”.**

Em 1971 Ray Pérez regressa a Caracas, e também a Los Dementes, o grupo com o qual chega à fama. Toda a experiência vivida e a passagem por vários grupos com diferentes características e ritmos, conferem a Ray um leque de conhecimentos extraordinários, e convertem-no num excelente compositor, autor e produtor. Ray Pérez foi um inovador nos arranjos musicais e essa linha continuará e fará dele um marco na Salsa.

**Citações de Ray Pérez, em 2005.





Nota: Esta postagem foi elaborada por Joana Costa


Fernanda Duarte

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Comentários

  1. Gustavo : 2012-01-29 #

    Simplesmente brutal! Quem gosta de boa música tem mesmo de apreciar Ray Perez.


 
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